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Artigos Médicos - Anorexia Nervosa


O que é anorexia nervosa?

A anorexia nervosa foi o primeiro dos transtornos alimentares reconhecidos desde o século XIX. Em séculos passados, a doença estava ligada a jejuns religiosos que se transformavam em comportamentos obsessivos.
O termo anorexia, significa falta de apetite, mas na realidade, há uma recusa alimentar consciente pelo paciente que deseja obsessivamente manter seu peso abaixo da faixa normal mínima, associado a um intenso temor de ganhar peso, uma vez que sua percepção corporal está extremamente distorcida.

Qual a prevalência/distribuição desta doença?

No Brasil não existem dados populacionais sobre prevalência e incidência de transtornos alimentares, e tampouco registros fidedignos do número de pacientes que recebem esses diagnósticos na rede pública de saúde. No entanto, estatísticas internacionais americanas apontam uma prevalência de 0.5 a 1% . Mais de 80 a 90% dos pacientes são do sexo feminino, 95% da raça branca e mais de 75% são adolescentes quando o problema se desenvolve pela primeira vez. A maioria é de classe socioeconômica média-alta. A idade média de início é 17 anos (primeiros quatro a cinco anos após a menarca), com a presença de um pico aos 14 e aos 18 anos. Raro sua manifestação após os 40 anos.
O novo modelo de beleza determinado pela sociedade moderna que cultua a magreza como expressão máxima da beleza tem provocado um aumento crescente de novos casos, em especial no grupo de modelos e bailarinas.

Qual é a causa da doença?


Na patogênese desta doença estão envolvidos fatores biológicos, psicológicos e socioculturais. O papel de um componente genético fica sugerido por estudos em gêmeos homozigóticos que apresentam concordância significativamente maior que os dizigóticos. Apesar de amplos estudos, não se sabe a explicação exata para este transtorno.

Quando suspeitar desta doença?

Os pacientes acometidos caracterizam-se pelo medo obsessivo de se tornarem gordos, e, portanto restringem rigorosamente a ingesta alimentar e elaboram estratégias para aumentar seu gasto energético através de exercícios extenuantes.
No início, começam a selecionar o que comem, preocupando-se exageradamente com o conteúdo calórico e teor de gordura dos alimentos, depois podem fazer longos jejuns não ingerindo sequer água. Pesam-se incessantemente em diferentes balanças e mesmo quando extremamente magros sempre direcionam atenção a partes do corpo como abdômen, coxas e nádegas.
Utilizam-se de técnicas para driblar a atenção dos familiares, preferindo “comer” no quarto, ambiente propício para se livrarem dos alimentos. Métodos associados como auto-indução de vômitos, uso de laxantes e diuréticos também são utilizados. A troca do “guarda-roupa” por roupas cada vez mais folgadas, para que permitam disfarçar seu definhamento, dificulta a percepção precoce do quadro pelos familiares.
Nas meninas que menstruam a falta de três ciclos menstruais seguidos é fortemente sugestiva do diagnóstico, desde que presente os demais comemorativos citados.
Sintomas depressivos, isolamento social, irritabilidade e insônia fazem parte do quadro.

Quais são os principais tipos de apresentação da AN?

Há duas formas principais de apresentação:
1) comportamento restritivo: o paciente restringe exageradamente o alimento a ser ingerido, escolhendo alimentos de baixo conteúdo calórico, usando alimentos termogênicos que aumentam o consumo energético basal, eliminando carboidratos e gorduras.
2) comportamento purgativo: o paciente usa técnicas para eliminar o que ingeriu, neste grupo é freqüente a auto-indução de vômitos, uso de laxantes e diuréticos.

Existem sinais clínicos sugestivos da doença?

Sim. O principal sinal é a redução abaixo do valor normal esperado do IMC (Índice de Massa Corpórea). Este é calculado a partir da fórmula: IMC= peso (Kg)/Altura(m)2 .
O achado de IMC ≤ 18Kg/m2 é critério diagnóstico desta doença.
Outros achados ao exame físico são: pele seca, hipotensão, diminuição da freqüência cardíaca, edema de membros, cianose de extremidades e ocasionalmente lanugo (penugem). Nos casos em que ocorre indução de vômitos pode-se observar desgaste do esmalte dentário e o Sinal de Russel (lesões cicatriciais no dorso das mãos).

Existe um exame laboratorial específico para diagnosticar a doença?

Não. A anorexia nervosa não tem uma alteração laboratorial específica, no entanto o estado de inanição provocado pela inadequada prática alimentar gera várias alterações hormonais, dentre estas se destaca a ausência de menstruação devido a alterações dos hormônios sexuais (↓ LH e FSH).
Ocorre também alteração da função tireoidiana (↓ TSH), alterações do hormônio de crescimento, cortisol, dentre outros. Alterações intestinais, ósseas, renais, hematológicas e cardíacas podem estar presentes. No entanto, o distúrbio mais sério, responsável pela maioria dos casos de morte, é o distúrbio hidroeletrolítico, cuja conseqüência maior é a manifestação de arritmias por vezes fatais.

Quais os critérios diagnósticos para a anorexia nervosa?

Os critérios adotados são do DSM-IV(Manual de Diagnóstico e Estatística de Doenças Mentais):
A - Recusa a manter o peso corporal em um nível igual ou acima do mínimo normal adequado à idade e à altura
(perda de peso levando à manutenção do peso corporal abaixo de 85% do esperado; ou fracasso em ter o ganho de peso esperado durante o período de crescimento, levando a um peso corporal menor que 85% do esperado).
B - Medo intenso de ganhar peso ou de se tornar gordo, mesmo estando com peso abaixo do normal.
C - Perturbação no modo de vivenciar o peso ou a forma do corpo, influência indevida do peso ou da forma do corpo sobre à auto-avaliação, ou negação do baixo peso corporal atual.
D - Nas mulheres pós-menarca, amenorréia, isto é, ausência de pelo menos três ciclos menstruais consecutivos. (Considera-se que uma mulher tem amenorréia se seus períodos ocorrem apenas após a administração de hormônio, por exemplo: estrógeno).

Quais pacientes precisam de internamento?

Pacientes com peso < 85% do seu peso individual estimado como saudável, freqüência cardíaca <40bpm, pressão arterial <90x60mmHg, glicemia<60mg/dl ou potássio < 3mEq/L. Incluem-se ainda casos de infecções graves ou impossibilidade de realimentação em domicílio com risco iminente de vida.

Como é o tratamento da AN?


O tratamento envolve o trabalho de uma equipe multidisciplinar composta por psiquiatra, psicólogo, nutricionista, assistente social, endocrinologista/clínico geral. Deve ser realizada abordagem individual e familiar.
O tratamento medicamentoso também deve ser realizado destacando-se para este fim os inibidores da recaptação da serotonina, amplamente utilizados. Essa terapia é individualizada e dinâmica.
A resposta ao tratamento é muito variável.

A Anorexia Nervosa tem cura? Como é a resposta ao tratamento?

Sim, a AN tem cura. Vários estudos demonstram que 40% dos pacientes se recuperam completamente, 35% melhoram, mas continuam a ter problemas relacionados ao peso e 20% evoluem com uma doença crônica e grave. A AN implica em uma taxa de mortalidade de 5%, podendo chegar a 20% nos casos mais graves, sendo a maior mortalidade entre os distúrbios psiquiátricos. Dentre as principais causas de morte destacam-se: arritmias malignas, insuficiência cardíaca, suicídio e infecções graves.

Há uma tendência a uma maior prevalência desta doença nos próximos anos?


Infelizmente sim. É cada vez mais crescente o número de pacientes diagnosticados como portadores de transtornos alimentares.
A sociedade que de um lado se apresenta “obesogênica” por outro lado elege a magreza como expressão plena da beleza e com isso o público mais afetado, os adolescentes, tornam-se cada vez mais propensos a sucumbirem a este transtorno.
Atualmente, em uma simples “navegação” pela internet, encontramos sites e comunidades pró-ana e pró-mia que significam respectivamente, pró-anorexia e pró-bulimia ( um outro transtorno alimentar muito comum). Nestes encontros virtuais adolescentes trocam dicas e experiências sobre como enaltecer seus ossos perante o mundo que assiste, muitas vezes alheio, aos acontecimentos que se tornam de conhecimento popular somente após a divulgação de mortes destes adolescentes.
Talvez uma ampla educação, à nível escolar, pudesse diminuir os dados alarmantes deste sério problema, uma vez que a faixa etária mais afetada está entre adolescentes .


Prof. RENAN MAGALHÃES MONTENEGRO
Dra. MARIA HELANE GURGEL
Intituto Cearense de Endocrinologia Fone 4011-8219
Hospital Universitário Walter Cantídio U F C – Fone 3366-8165