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Saúde Suplementar - UMA CONSULTA DE CONVÊNIO - Você sabe quanto recebe?


Com este artigo, pretendemos analisar economicamente a situação dos médicos que atendem em seus consultórios particulares, pacientes dos diversos tipos de convênios e planos de saúde.

Desta forma, pela análise e resultado final do estudo, cada médico poderá fazer seu próprio julgamento da validade do sistema.

Levaremos em conta, de forma imaginária, um médico que exerça a profissão em consultório alugado, com duas salas e banheiro, em prédio de condomínio, possua todo o equipamento necessário à sua especialidade, tenha telefone, uma recepcionista, faxineira, mobiliário completo para recepção e arquivos. Que trabalhe 4 (quatro) horas diárias, atendendo exclusivamente pacientes de convênios e/ou planos de saúde.

Neste caso, as consultas eletivas têm um limite máximo, equivalendo a R$ 42,00, proposto pela CHBPM elaborada pelas entidades médicas nacionais. (imaginando que todas as operadoras assim remunerem os médicos). Vamos considerar uma receita resultante do atendimento em torno de 170 pacientes / mês, podendo variar para mais ou para menos em função das condições essenciais para a receita, cujos pontos principais relacionamos abaixo.

As despesas serão calculadas dentro de limites mínimos. Com a inflação baixa nos últimos cinco anos e mantida sob controle, elas deveriam ter permanecido mais ou menos estáveis, mas, infelizmente isto não ocorreu em vários itens. Desta forma alteram significativamente o custo operacional.

Com base nestes dados, pretendemos estabelecer o valor líquido e atualizado, de uma consulta eletiva para convênios.

  • RECEITA:

Atendimento médio mensal: ...................... 170 primeiras-consultas/mês
Valor global: 170 consultas x R$ 42,00 = R$ 7.140,00

Receita mensal bruta ................................................... R$ 7.140,00

  • Condições essenciais para a receita (as principais):

1- Receber a totalidade dos pacientes/mês. Reconsulta no mesmo mês não remunera.
2- Não ficar doente, não faltar ao trabalho, nem acontecer feriados nos 22 dias úteis do mês.
3- Não chover no horário de trabalho de forma a impedir a vinda dos pacientes.
4- Não atender emergências fora do consultório durante o expediente normal de consultas.
5- Não tirar férias.

Despesas mensais

R$

01 - Aluguel do consultório

900,00

02 - Salário da secretária (dois salários da categoria)

800,00

03 - Salário da faxineira (um salário da categoria)

388,00

3.1- Vale alimentação

160,00

3.2 - Insalubridade

76,00

3.3 - Vale transporte (líquido)

87,00

04 - Férias / FGTS / INSS /13. salário = (59,73% mês)

755,36

05 - Condomínio (incluindo água).

260,00

06 - Telefone, energia elétrica.

120,00

07 - Material de consumo médico: gaze, algodão, álcool, etc.

80,00

08 - Material de limpeza: cera, sabão, aspirador, etc.

60,00

09 - INSS-Autonomo = 11% s/teto

319,37

10 - I.P.T.U -mensal.

45,00

11 - Depreciação dos equipamentos - 1/12 (s/ R$10.000,oo)

83,50

12 - CRM+Ass.Med. +Sind.Med. +Soc.Espec. (mensal)

95,00

13 - Despesas de locomoção própria (média-08 litros diários)

510,00

14 - Despesas diversas

180,00

Total das despesas mensais

R$ 4.919,23



BALANÇO

R$

Receita mensal

7.140,00

Despesas e custo operacional

4.919,23

Saldo (Receita líquida)

R$ 2.220,77



IMPOSTO

R$

Receita líquida

2.220,77

IR sobre Receita líquida - 27,5%

610,71

Saldo final

R$ 1.610,06



Saldo

R$ 1.610,06 / 170 = R$ 9,47


Valor líquido unitário recebido por consulta: R$ 9,47



CONCLUSÃO: O resultado final deste estudo mostra que a situação é preocupante e desalentadora. Ainda mais, se os valores das consultas eletivas que você recebe forem inferiores aos R$42,00, então o problema fica mais sério e os cálculos devem ser refeitos.

Na verdade, o que se ganha hoje, atendendo ao sistema de convênios e planos de saúde é uma ilusão financeira, só percebida quando da declaração do imposto de renda.

Por outro lado, o sistema vigente continua representando um negócio extremamente lucrativo para as empresas contratantes, porque, além de tudo que foi demonstrado, deve-se considerar que o médico credenciado (ou referenciado) não é um trabalhador comum, pois, não tem vínculo empregatício, direito a férias, 13º salário, vale transporte, assistência médica, auxilio doença, licença para quaisquer fins, aposentadoria, nem mesmo a segurança no trabalho. A qualquer momento pode ser descredenciado (ou desreferenciado) e não há como reclamar.

A CBHPM está buscando corrigir este aviltamento na remuneração dos honorários médicos, mas, são poucas as operadoras que adotam esse documento. Pode-se dizer, com tristeza, que se mantém legalizado ao longo do tempo um fato inusitado e inaceitável: aquele que contrata define os valores a serem pagos para os prestadores de serviços. Assim, pode-se antever um futuro sombrio quanto à qualidade dos serviços prestados e a permanência no sistema dos profissionais mais qualificados.


Dr. Antonio Celso Nunes Nassif