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Artigos Médicos - Varizes dos membros inferiores



A circulação de nós humanos compreende: as artérias que transportam o sangue oxigenado nos pulmões impulsionado pela força do coração. As veias que trazem de volta este sangue para nova passagem no pulmão e coração chamado de grande circulação. Os vasos linfáticos, muito finos, quando acometidos quer pela deficiência ao nascermos ou doença, causa edema e transportam a linfa.

A doença nas veias, a patologia venosa, é a mais comum na humanidade e acomete aproximadamente 1/3 da população mundial, sem escolher raça, sendo, portanto, de grande importância social.

O sistema nervoso, para um melhor entendimento, é dividido em profundo e superficial. O profundo, ao lado dos ossos e entre músculos e o superficial abaixo da pele e tecido subcutâneo.

O sistema venoso profundo, nos membros inferiores é o mais importante, sendo o responsável em 80% do retorno venoso enquanto o superficial somente 20%. Este superficial é formado principalmente pela veia safena magna (começa no maléolo interno e acaba na prega da virilha) ou safena interna e a safena parva (começa no maléolo externo e acaba no oco-poplíteo, por traz do joelho) ou safena externa e representam 80% do retorno superficial que é de 20%. Além das veias perfurantes e comunicantes de Doth e Crocket que respondem pelo restante dos 20% daqueles 20% superficiais, daí a importância das “veias safenas”.

O sistema venoso não é um tubo como um carro, mas dotado de válvulas, nestas veias superficiais principalmente, estando aí o problema, quando insuficientes. A parede da veia é formada por 3 camadas e quando a camada média, geneticamente, é mais fraca reside o segundo problema da patologia venosa.

Desta forma, a hereditariedade é o fator maior da doença venosa. Acomete 1 em cada 5 mulheres e 1 para cada 1,5 homens e esta diferença está no hormônio feminino (Estrógeno). Com isto, gestações múltiplas são o segundo fator de importância na gênese da patologia. Estão associados o sedentarismo, o trabalhar em pé principalmente, ou sentado, excesso de peso e falta de cava na planta dos pés são fatores de agravamento. Com a fragilidade da parede da veia ou insuficiência das válvulas temos as dilatações das veias superficiais (safenas ou comunicantes) chamadas de varizes.

As varizes têm uma classificação onde C0 seria o marco zero. C1 aquelas veias parecidas a uma teia de aranha, daí o nome de Tilampectaxias são intradérmicas. O C2 seria a veia dilatada, o C3 esta veia sem alteração da pele o C4 o mesmo, mas com alteração da pele. C4A com pigmentação, aquela mancha ocre, tipo enferrujado, ou eczema e C4B com endurecimento do tecido subcutâneo associado. O C5 com tudo do C4 e mais úlcera que cicatrizou e o último, C6 que é a úlcera ativa (ferida na perna).

O tratamento é baseado em medicação (Flebotróficos) associado ou não a cirurgia, escleroterapia, meios elásticos. As tilampectaxias são tratados com esclerose química, várias substâncias com injeção com agulha muito fina. O laser ainda não é o tratamento perfeito. O tratamento cirúrgico é a exerese das veias safenas ou somente aquelas chamadas perfurantes. As veias safenas são usadas em substituição às artérias obstruídas, principalmente nas “pontes de safenas” quando as artérias coronárias que irrigam o coração estão acometidos pela arteresclerose ou na lesões traumáticas das artérias periféricas.

Daí, atualmente, tudo se faz para manter estas veias safenas e somente quando muito dilatados são retirados. O ultra-som Doppler é o exame ideal para estudar se insuficientes ou trombosados e a indicação cirúrgica correta. Alguns métodos estão sendo testados em substituição à cirurgia, mas ainda é cedo para serem aplicados. A cirurgia de varizes esteticamente é bem estabelecida, a cicatriz é bem tolerada, um pós-operatório sem dor e um rápido retorno ao trabalho usando uma contenção elástica (meias medicinais) perda de peso, exercício físico sendo andar 4 vezes por semana o ideal para fortalecer a musculatura da panturrilha (batata da perna).

As veias profundas, aquelas 80%, são acometidas de trombos e a associação de hormônio (estrógeno) com o tabagismo pode ser fator desencadeante. Tem ainda fatores genéticos como deficiência de fatores da coagulação que favorecem a trombose.

As veias profundas quando trombosadas, o tratamento não é cirúrgico, mas somente medicação (Heparinas + Antivitaminas K). Os fibrinolíticos ainda não têm indicação absoluta. O diagnóstico deve ser rápido e preciso, pois sendo o mais importante, uma vez não perfeitamente tratado causa uma patologia chamada de Síndrome Pós-Trombótica que pode complicar com ferida na perna de difícil cicatrização. Os US - Doppler também é o exame de eleição por ser não invasivo e sem contraste. As varizes são um tributo por sermos bípedes.


Lineu Ferreira Jucá – Médico Cirurgião Vascular titular da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular e Mestrando na Especialidade pela E.P. Medicina.